Brasileiros pelo Mundo

“31 vs 31” – 31 anos, 31 países visitados

países visitados
Nuno Barros
Escrito por Nuno Barros

Há muito que existe uma curiosidade peculiar à volta do número de países, cidades ou simples lugares que visitei nos meus trinta e um anos de vida. Essa curiosidade é vagamente saciada com a divulgação de fotografias, que inicialmente todos os meus amigos pediam para ver, após o meu regresso à minha cidade, o Porto, em Portugal. Ainda antes de existirem redes sociais massificadas, era uma prática quase sagrada, mostrar fotografias de lugares onde muitos sonhavam ir, e que eu, felizmente tinha a oportunidade de conhecer. As ditas redes facilitaram a divulgação das mesmas e ajudou a cimentar uma das melhores coisas que acontece ao ser humano quando viaja: fazer amigos.

Comecemos por aqui: É inevitável que quem viaja muito não faça amigos. Ainda que eu não seja uma pessoa extremamente sociável, quando estou fora da minha área de conforto tenho uma tendência muito maior para comunicar, quer para aprender sobre os sítios (lugares) em questão, quer para entender a essência humana, aquela de que ouvimos muitas vezes opiniões, que são apenas ideias pré concebidas e que geram a tão conhecida discriminação. Posso orgulhosamente dizer que tenho amigos em países tão diversos como a Bélgica, Brasil, Turquia, Japão, Índia, etc. Hoje em dia com os programas de intercâmbio das Universidades é possível ter amigos de todo o mundo, contudo, conhece-los no seu “habitat natural” é uma experiência completamente diferente e muito enriquecedora.

Mas vamos ao início da história. Tudo começou praticamente após o meu nascimento, quando com apenas três meses de vida já estava no Algarve e também na cidade de Sevilha. Claro que uma criança com esta idade não tem noção de onde está,  mas é importante salientar o inicio. Os inícios são muitas vezes o ponto mais importante das actividades e relações humanas. Neste caso, com meses já viajava e a partir daí nunca mais parei.

Foram anos, mais precisamente dezassete a viajar apenas entre Portugal e Espanha. Eram viagens quase sempre trianuais correspondentes aos períodos de férias escolares: Verão, Carnaval e Páscoa. Em Portugal, estive nos dezoito distritos do continente, visitando todo o distrito e não somente a sua capital, assim como nos arquipélagos dos Açores e Madeira.

Em 2002, com dezassete anos dá-se o meu primeiro contacto com um país fora da Península Ibérica. Uma experiência radicalmente diferente: a Turquia. Cheguei a Istambul e lembro-me de ver uma cidade onde os táxis abundavam (na verdade tem mais táxis que Nova Iorque), das duas enormes mesquitas  (Azul e Hagia Sofia), do palácio de Topkapi, do Grande Bazar e da doçura e amabilidade do povo turco, que contrasta com a opinião um pouco generalizada acerca dos turcos um pouco por toda a Europa. De Istambul segui para outras regiões/cidades da Turquia como Ankara, Konya, a Capadocia, Ephesus, Izmir, entre outras. Esta viagem marcou-me muito, uma vez que o país se situa em dois continentes, o europeu e asiático e o contacto com pessoas tao diferentes abriu ainda mais os meus horizontes. Ainda hoje sorrio ao pensar no chá de maçã, nas paisagens “lunares” da Capadócia ou cada vez que ouço musica turca, como o estou a fazer neste momento.

Sinto que fiz uma descrição pobre sobre o país mas o objectivo deste texto é falar um pouco sobre a experiência de viajar “compulsivamente”, sendo que poderei eventualmente vir a escrever sobre cada um destes sítios, duma forma bem mais detalhada no futuro.

Outra coisa muito importante e que gosto sempre de realçar é a forma e as circunstâncias em que viajei. Viajei com a família, com namoradas, com amigos e sozinho. Estive no mais luxuoso dos hotéis, assim como em sítios que assustavam qualquer pessoa. O importante nunca foi o conforto, embora não seja hipócrita ao ponto de afirmar que não gosto de um bom hotel, de uma refinada refeição ou de voar em classe executiva. Quando tive/tenho oportunidade faço-o. Quando não disponho de meios para isso vou na mesma, com a mesma alegria. Com orçamentos muito limitados fiz as melhores viagens da minha vida. Escrevo sobre isto para contrariar aquela ideia de que só quem tem muito dinheiro é que viaja (principalmente para fora do país). Isso é pura e simplesmente um mito. É necessária uma planificação rigorosa e por vezes, muito tempo e paciência para achar a oportunidade ideal mas ela aparece. Voltando à questão da companhia, lembro-me duma viagem em família que fiz a Natal, no Brasil, com a namorada é impossível não sorrir ao pensar na bela cidade de Roma, com amigos já tive peripécias quase inacreditáveis em Madrid e nunca esquecerei as cidades de Barcelona e Liverpool, uma vez que fui visitar os meus melhores amigos, que se encontravam nessas duas cidades a residir temporariamente. Os encontros são bons, mas os reencontros são ainda melhores. Por fim nunca esquecerei as viagens que fiz sozinho. Fui a Dublin ver um concerto de uma das minhas bandas preferidas (a musica é a minha outra grande paixão), estive em Varsóvia em pleno Inverno, etc. As viagens que fazemos sozinhos acabam por ser viagens muito mais interiores do que exteriores, mas também entendo que muita gente apenas consiga desfrutar da ausência do seu meio de conforto com uma companhia.

Em 2005 fiz a viagem que mais me marcou até hoje. Fui literalmente até ao outro lado do mundo, até à China. Estive em Hong Kong, em Macau, Xangai, Xi’an e Pequim. E foi aqui que a minha mente se abriu completamente ao mundo. A China é um país de contrastes, a riqueza vs pobreza, a limitação de liberdade vs espontaneidade dum sorriso duma criança, jovens apressados vs idosos tranquilos. Na China, assim como um pouco por toda a Ásia, estes contrastes mudam-nos. Passar dos arranha céus de Hong Kong para a calçada portuguesa de Macau provoca uma sensação estranha e salienta ainda mais a tão nossa palavra, saudade. Passar por uma feira gastronómica em Pequim, onde se vendia tudo e mais alguma coisa (gafanhotos, ratos, casulos de bichos da seda, etc) para um dos restaurantes mais tradicionais, onde é feito o pato à Pequim é inesquecível. Ir quase 14 horas dentro de um avião entre Paris e Hong Kong também é algo que não se esquece, principalmente para alguém que não dorme em viagem, tal é a excitação do momento.

Mais uma descrição pobre, mas assim tem de ser, até mesmo porque é impossível por em palavras tudo aquilo que os nossos cinco sentidos captam. Mas mais tarde escreverei algo mais completo sobre alguns países em particular. Sou um apaixonado pelo Japão e só nesse texto, acho que escreveria dezenas de páginas.

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Chegamos novamente ao inicio, porque como disse, os inícios são muito importantes. Comecei com “31 vs 31” . Estes dois números representam a minha idade e o número de países em que já estive sendo eles, Portugal, Espanha, Turquia, Tunísia, Brasil, Bélgica, Holanda, China, Macau, Hong Kong, Rússia, Alemanha, Dinamarca, Suécia, Egipto, Itália, Vaticano, Inglaterra, França, Polónia, Estados Unidos da América, Irlanda, Croácia, Montenegro, Bósnia e Herzegovina, India, Emirados Árabes Unidos, Japão, Hungria, Áustria e Eslováquia. Estão escritos por ordem cronológica, porque assim como um livro, não faz sentido ler inicialmente os capítulos finais e o por fim ler o prefácio.

Foto em Perast no Montenegro

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Foto em Budapeste

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Foto em São Franscisco

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E assim termino esta breve descrição do meu percurso, esperando ter aguçado a curiosidade e ter despertado em alguém a vontade de viajar. Para fora ou no país, o importante é nunca ficar muito tempo no mesmo sitio (lugar). Porque a viagem principal, a vida, passa a correr e como tal, deve ser aproveitada ao máximo.

“Cabin Crew, Seats for take off!”

Veja as fotos do quarto desse mochileiro:

31 países e viagem

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Nuno Barros

Imagem: Acervo pessoal de Nuno Barros

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Sobre o autor

Nuno Barros

Nuno Barros

Licenciado em Turismo, DJj e multi instrumentista. Apaixonado por música, viagens, história e línguas. É fascinado pela cultura nipónica, pela energia holandesa ou pela simpatia dos irlandeses. Tem como maiores paixões a cidade do Porto, onde reside, Lisboa e a cidade das luzes, Paris. Tenta sempre partilhar aquilo que vê , ouve ou sente nas suas viagens, pois entende que quanto mais absorvemos do mundo, maior é o nosso auto conhecimento.