Brigadeiros – Será que os portugueses gostam?

Em duas ocasiões que fui comer na casa de portugueses, levei brigadeiros para a sobremesa. Pedi sugestões em um grupo de “brasileiros em Portugal” e a maioria respondeu: “leve brigadeiros, os portugueses adoram”.

Ok. Brigadeiro é sucesso, não tem erro. Nas duas vezes, os anfitriões ficaram surpresos e me perguntaram se eu havia feito tudo sozinha, sem encomendá-los em lugar algum.

A pergunta me causou estranheza. Como assim encomendar brigadeiros? A menos que estivéssemos falando de uma festa na qual eu precisaria de centenas deles, não fazia sentido.

Depois percebi que não fazia sentido apenas para mim e não para eles. E me caiu a real que brigadeiro é um patrimônio brasileiro. O brigadeiro é tão nosso, tão “da família”, que já temos decorada a sua fórmula como se fosse matéria escolar obrigatória.

É um segredo de gerações. Aprendemos desde crianças a fazê-lo, passo a passo, enquanto acompanhamos nossas mães que noite a dentro enrolavam brigadeiros para a nossa festa de aniversário (crianças de hoje e suas festas megalomaníacas em buffets jamais saberão o que é isso).

Desde abrir as forminhas com cuidado, posicioná-las na bandeja metalizada, roubar um ou outro enquanto a mãe não percebia (ou fingia não vê-lo). Ele é o nosso melhor remédio contra depressão, contra término de namoro, é nosso aliado para atravessar noites solitárias em frente à televisão, dividir com amigos (amigo que é amigo come brigadeiro de colher dividindo o mesmo prato, sem nojinho). Nas festas, podem até faltar o beijinho e o cajuzinho, coadjuvantes, mas o brigadeiro? Jamais, ele é a estrela.

Sabemos que não pode parar de mexer nunca se não encaroça no fundo da panela e que uma colher de manteiga ou margarina ajuda a deixar mais soltinho. Sabemos também que utilizar cacau no lugar de nescau ou toddy deixa aquilo tudo muito menos doce (como se isso fosse possível).

Mas o maior dos segredos é, e aqui você sabe o que eu vou dizer: a hora certa de transferi-lo da panela para o prato, quando já está soltando do fundo da panela. Um segundo a mais e tudo está perdido, vira caramelo, endurece, gruda na boca. É saber quando começa a desgrudar do fundo da panela que separa amadores de fazedores de brigadeiros profissional.

Existe até um código de etiquetas sobre quando comê-los. E é a maior das dúvidas quando chegamos à uma festinha. “Os brigadeiros que estão na mesa são apenas para depois do parabéns?”.

E então chega a hora, essa data tão querida. Ganhamos dois no pratinho, junto ao bolo. O bolo sempre sobra no prato, mas você não encontra brigadeiros perdidos pelos pratos abandonados. Esse todo mundo come, se aproxima da mesa e repete. “Só mais um”. E esquecemos de dieta, esquecemos dos problemas, esquecemos de tudo de ruim naquele instante, porque brigadeiro é tudo de bom, e talvez seja ele o segredo para sermos um povo tão feliz em meio a tantos tormentos.

Viva o brigadeiro!

 

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Imagem de Amanda Aron Chimanovitch


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Amanda Aron Chimanovitch
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