Depoimentos

A educação dos portugueses me espanta, mas não deveria…

educação dos portugueses
Sabrina Gimenez
Escrito por Sabrina Gimenez

Já estou quase a completar um ano em terras lusitanas. Como é que passou tão rápido? Quem conhece minha página sabe o quanto sou grata pela oportunidade de recomeçar a vida em um país tão abençoado como Portugal e já sou considerada “suspeita” ao falar do povo, da comida, da natureza e de tantos outros atributos que poderia vos deixar aqui.

Hoje vou comentar sobre a educação do português e como isso afeta minha vida.

Começa logo cedo, bem cedo mesmo, por volta das 7 da manhã, quando meu padeiro pendura o saco de 6 pães quentinhos cuidadosamente em meu portão. Todos os dias, no mesmo horário, eles estão lá a nossa espera. Nunca imaginei ter este “mimo” em casa e todos os dias. Depois levo Gabi para a escola e lá está Dona Augusta ou Dona Antonia, as assistentes que recebem os alunos à porta com um lindo sorriso de “Bom dia” no rosto.

Aí começa a sequência de Bons Dias que recebemos até as 14 da tarde. E são muitos. Digo muitos mesmo! Pastelaria logo que entro: Bom dia e sorriso! Posto de combustível ao pagar: Bom dia e sorriso! Trabalho: Bom dia querida e muitos sorrisos (às vezes até abraços) e neste caso, muitos beijinhos também.

Reunião de trabalho mesmo depois de todos já terem se cumprimentado, mas claro, o “Bom dia equipa” também esta lá. Recebo uma ligação? A primeira coisa que ouço/oiço é o Bom dia! Aqui a diferença entre portugueses e brasileiros. O português deixa-o falar e ele volta a falar somente quando paramos de falar. O brasileiro não espera que o outro termine de falar e já logo começa a conversa. Aqui paramos para escutar o Bom dia e só depois o responder igualmente com o mesmo Bom dia.

E assim seguimos com uma avalanche de “Bons dias” e sorrisos por todos os lados.

Quando iniciamos a conversa com alguém logo vem a mente o uso do “tu”e “você”, que aqui é completamente diferente do Brasil. Lá usamos você para todos, raramente o uso do “tu” é empregado.

Então imagine que quando conheça alguém aqui, deverá trata-lo por você até que ele ou você dê a autorização para chamá-lo por tu. Já ouvi muito: Pode tratar-me por tu. E quando dizem: “A Sabrina está a gostar de Portugal?”.

Ahhh os macaquinhos ficam a pular na minha cabeça com tanta coisa para aprender!

Ok, ao menos lá eu já estava acostumada a chamar os mais velhos de Senhor ou Senhora. Esta eu tiro de letra, e é uma regra básica!

Agora vou ao mercado e claro, a atendente do caixa solta primeiramente o quê? O “Bom dia”, “Boa tarde”, claro! Ah, aquele sorriso no rosto nunca falta! E quando estou com a Gabi então? Elas perguntam como ela está, se já tem todas as figurinhas do álbum, ou pegam algo da compra e perguntam: Hum, esta bolacha é mesmo muito boa, não é? E por vezes há fila atrás de mim, fico um pouco constrangida com o próximo cliente da fila, mas logo percebo que ele também está lá tranquilo, aguardando o seu “Bom dia”, então aqueles 2 ou 3 minutos a mais de conversa connosco não farão diferença alguma.

Cada dia aprendo mais porque ouço muito, observo muito, leio muito e assim percebo que a educação básica do “Bom dia”, do “com licença”, do “por favor” é algo muito usual por aqui, é rotina, é regra e não exceção como já vi em outros países.

Acho horrível que eu me sinta espantada, pois não deveria. Se tivesse sido criada em uma sociedade onde ouvimos e depois falamos, com certeza eu não sentiria este espanto…

Atitudes tão simples e que me ajudam a realmente ter um “Bom dia”, uma “Boa tarde” e uma “Boa noite”.

Meu desejo é que um dia o mundo todo tenha a educação do povo português.

PS: Claro que existem uns raros mau humorados,  sem paciência, grosseiros… E onde é que eles não existem? Cabe a nós darmos ouvidos a eles ou aos muitos “Bons dias” que recebemos. Eu fico com o “Bom dia”, e “tu” ou “você” ou o “Senhor”/”Senhora”… Ahh essa língua portuguesa deixa-me com macaquinhos na cabeça a todo momento!

Beijinhos e Boa noite queridos!

As fotos abaixo mostram além da educação verbal que relato aqui. Elas expressam o “ser português”como um leitor muito bem definiu.

educacao dos portugueses

😉 Gostaria de mais informações, nos acrescentar algum dado ou nos alertar quanto a algum possível erro?

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