Gastronomia Portuguesa

A Sardinha Portuguesa

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Caroline Eira
Escrito por Caroline Eira

Muitas vezes quando pensamos na culinária portuguesa, muitos brasileiros têm a seguinte ideia: Bacalhau! Pois bem… Você está errado! A culinária portuguesa não está restrita somente ao bom e velho bacalhau! Há muitos outros pratos deliciosos que você encontrará em todos os cantos em que percorrer por Lisboa: As maravilhosas sardinhas!

A sardinha, esse pequeno peixe comum nas costas atlânticas de França e Marrocos, tem sido um símbolo nacional tradicional há séculos.  Ela está tão bem inserida na cultura portuguesa que você encontrará diversos registros sobre este prato na literatura portuguesa, também enraizadas em canções, cantos e jogos populares e até mesmo na genealogia, surgindo como nome de algumas famílias.

A tradição de assar sardinhas artesanalmente nas calçadas é uma marca da cultura portuguesa. Temperadas com sal grosso, os peixes são colocados diretamente na brasa. Entre os séculos XIX e XX, ela foi um prato básico para muitas famílias rurais.

Apesar de que há mitos e crenças no passado quanto ao excesso no seu consumo resultaria em problemas intestinais, de fígado e baço, hoje sabemos que a sardinha é um prato de muitos benefícios para a saúde, especialmente pelo fato dela ser uma grande coadjuvante na luta por um melhor controle de colesterol, hipertensão, como também, na prevenção de riscos de acidentes cardiovasculares.

 

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A origem do “amor português” pela sardinha

Para entender melhor essa ‘paixão’ da nação portuguesa pela sardinha, temos que fazer uma breve viagem à um passado muito e muito distante.

Há quem diga que enquanto estavam no território que hoje é Portugal, os Fenícios apreciavam e muito a sardinha. Os romanos, não muito diferentes, também consumiam bastante, uma vez que a técnica e a prática da pescaria era de tamanha importância para eles. A sardinha, uma vez salgada, viajava da Ibéria para todo o mundo romano – África, Itália, Gália e Inglaterra. No período muçulmano, bem a Sul do Tejo, a pesca de sardinhas era feita em grande abundância também.

Em meados do século XIII, a população mais pobre consumia a sardinha e o bacalhau em larga escala. Houve momentos, no reinado de D. João I, em que a pesca da sardinha fora protegida por uma carta, dando a autorização para que os moradores do Porto capturassem o peixe em Lisboa e Setúbal.

 

Escassez de Sardinha?

Em 1456, só podiam pescar sardinhas aos domingos e em dias santos, com a exceção feita às festas de Jesus Cristo e da Virgem Maria. Então tinha sardinha para todos e larga e grande escala? Não exatamente. No início do século XVII, houve uma escassez de sardinhas em Lisboa. Sim, isto mesmo! Escassez! Tanto que o governo, naquela época, colocou penas ‘pesadas’ para aqueles que enviavam as sardinhas de Lisboa para qualquer outro destino.

Esta pena era muito ‘maior’ do que um simples furto, só para você ter uma noção do cenário desta crise, naquela época. Vale ressaltar aqui que a tradição de comer as sardinhas sobre o pão veio exatamente desta época. Segundo alguns amigos meus portugueses, o grande segredo de uma sardinha maravilhosa e autêntica portuguesa está em colocar o peixe inteiro na brasa, depois de ser temperada com o sal grosso, sem tirar ‘os miúdos’. Deixar o peixe inteiro e não ter nenhum corte, deixa a carne mais saborosa.

 

Quer uma sugestão de passeio?
Visite a O Mundo Fantástico da Sardinha Portuguesa – Lisboa, Portugal

O Mundo Fantástico da Sardinha Portuguesa

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Imagem via Acervo Pessoal

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Sobre o autor

Caroline Eira

Caroline Eira

Tradutora freelancer e professora de inglês, paulistana, apaixonada pelos idiomas Inglês e Alemão, ama viajar e conhecer novos países, novas culturas e fazer novas amizades!