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Descubra os encantos de Coimbra, Portugal

Coimbra
Maira Santana
Escrito por Maira Santana

Tenho quase certeza de que você já ouviu falar sobre a Universidade de Coimbra; mas você já se encantou por Coimbra?

Vem comigo que você vai entender o que eu quero dizer.

Coimbra é a cidade dos estudantes, vai ouvir isto sempre.

A Universidade

A Universidade de Coimbra é só o começo do que pode ser visto em Coimbra. E que começo! Fundada em Março de 1290 é a Universidade mais antiga de Portugal e uma das mais antigas do mundo. Sendo a primeira, criou e disseminou muitos costumes e tradições entre as universidades do país e, embora o tempo venha tentando apagar e deturpar a maior parte deles até mesmo o mundo da magia de J. K. Rowlings pôde inspirar o seu uniforme no traje acadêmico das universidades portuguesas.

A melhor época para viver a tradição acadêmica da Universidade é entre a segunda e a terceira semana de Maio quando acontece a Queima das Fitas. A “Queima” propriamente dita é o momento em que os estudantes queimam fitas de seda que representam cada um de seus anos acadêmicos para indicar que passou por eles com sucesso e agora é graduado, ou seja, é um ritual de formatura.

Além do evento que dá nome à Semana Acadêmica que, definitivamente, movimenta toda a cidade, os seguintes eventos também têm o seu espaço:

– Baile dos Finalistas ou Jantar de Gala: equivalente ao nosso baile de formatura no Brasil, mas sem o mesmo apelo ou atração; acaba ficando restrito quase somente aos formandos e familiares mais próximos mesmo. Muito formal, tem eventos mais descontraídos a dividir com amigos.

– Cortejo: cada curso tem suas cores representativas e as salas finalistas de cada curso se organizam para decorar carros alegóricos de maneira irreverente e fornecem bebidas e salgadinhos à cidade, como retribuição à hospitalidade, enquanto percorrem da Alta à Baixa. Os finalistas estarão de cartola e bengala. Os Cortejos agora ocorrem no primeiro domingo da Queima. Veja como foi o Cortejo de 2017:

Carro de Cortejo de Finalistas

Coimbra

– Serenata: o ponto de maior emoção, onde cai a ficha da despedida dos estudantes. Ocorre em frente à Sé Velha. Os finalistas devem se organizar para cantar as músicas tradicionais do evento. A Serenata é a abertura oficial da Queima das Fitas e ocorre mesmo no início data de cartaz, começa exatamente à meia-noite de quinta para sexta-feira. E a deste ano foi mais ou menos assim:

– Garraiada: depois de uma noite na farra, sem dormir, os “Harry Porter” e as “Hermione” conseguem passe livre no comboio na Figueira da Foz para andar a brincar de tentar agarrar um novilho. Confesso que em situações normais não acho graça na “brincadeira”, mas quando vi, os seres estavam tão bêbados que acho que até o novilho estava a rir. (Não, não vi nada que indicasse maus tratos, mas confesso que ainda tenho reservas, acho mais graça no próprio movimento de todo aquele povo ir até a praia trajado, na verdade)

Figueira da Foz em dia de Garraiada

Coimbra

– Rasganço: este é o “evento” com menos adeptos. Por 2 razões muito simples: é preciso muito desapego/desprendimento e também muita coragem/desinibição, dois quesitos que não se pode dizer que representam bem os saudosistas e um tanto tímidos portugueses. Explico: no rasganço, o finalista se traja completamente e convida os seus companheiros de jornada de fora da Universidade (família e amigos de infância) a literalmente rasgar completamente as suas roupas, seu traje acadêmico, inteirinho, a capa, o colete, a camisa, a saia/calça, as meias/meias de seda, enfim: o nobre cidadão recém formado fica no meio da rua somente com as roupas de baixo e a pasta para ajudar a cobrir mais qualquer coisa. E os pais ajudam, sim senhores. Não é mesmo para qualquer um, vamos combinar?

– Concertos: de uns tempos para cá, ao fim de cada noite tem um concerto de uma banda consagrada nacional ou internacional no Parque de Shows da cidade; além do show principal, as bandas da cidade se apresentam como shows de abertura e também as tunas e concertinas acadêmicas.

Enfim, fato é que mesmo quem não é finalista se enche de um orgulho especial em andar trajado nesta época e como eu digo: a cidade fica completamente povoada de “Harry Potter’s” e “Hermione’s” por todo o mês de Maio.

Este ano já está a acontecer: a Queima das Fitas vai de 5 a 12 de Maio e o cartaz é este bonitão aí embaixo com algumas atrações como Kaiser Chiefs e James Arthur:

Coimbra

Site Queima das Fitas

Entre as duas últimas semanas de Outubro há uma segunda chance, não tão boa, mas ainda interessante que é a Latada, o início do ano letivo para os calouros com a entrega da primeira fita ou “imposição das insígnias” e Serenata de Boas Vindas.

Independentemente da época do ano que você venha a Coimbra, tem que visitar a Universidade de Coimbra.

Considerando que quer você chegue de autocarro, quer você chegue de comboio ou de carro você estará orientado pela baixa, para ir para a Universidade você deverá pegar o autocarro 103 em frente ao Jardim da Manga.

Jardim da Manga

Coimbra

O autocarro te deixará bem no meio do polo I da Universidade. Mas como assim?

É claro que ao longo dos anos a Universidade cresceu. A parte mais antiga da Universidade é onde está a faculdade de Direito e foram sendo adicionados novos prédios conforme os novos cursos que iam surgindo até um ponto que a parte reservada para a Universidade já não comportava mais novos prédios e então eles passaram a ser espalhados pela cidade. O polo II, para as Ciências e Tecnologias, na periferia como política de urbanização e desenvolvimento da cidade e o polo III, para a Saúde, junto aos Hospitais, mantendo o polo I, junto à Faculdade de Direito, para as Humanidades, que é a parte turística.

No Polo I é possível visitar o hall de todos os prédios livremente onde se vê um mural representativo da faculdade a que se destinava originalmente.

Painel do Hall da Faculdade de Matemática

Coimbra

Universidade de Coimbra

Coimbra

– O Paço Real: que inclui a Sala dos Capelos, onde ainda hoje todos os Doutorados da Universidade são defendidos, não só dos de Direito;

– A Biblioteca Joanina: com seus “morcegos” conservadores de livros e recente cenário do filme “A Bela e a Fera”, incluindo a Prisão Acadêmica;

– A Capela de São Miguel: capela recém restaurada, finamente pintada, com um dos órgãos de tubos mais antigos em funcionamento;

– O Museu da Ciência: Laboratório Chimico e Colégio de Jesus que inclui as Galerias de Física Experimental e História Natural;

– A Torre da Universidade: sujeita às condições climatéricas, a melhor vista da cidade.

Parte da vista da cidade a partir da Torre da Universidade

Coimbra

Além da Universidade

Saindo do Paço das Faculdades, descendo em direção aos Arcos do Aqueduto tem a entrada para o Jardim Botânico de Coimbra.

Tecnicamente ainda pertence à Universidade, mas vamos lá.

Arcos do Aqueduto do Jardim Botânico

Coimbra

Com seus recantos, sobes e desces, são diversas as espécies preservadas entre as fontes e caminhos e os próprios aquedutos romanos que nos levam até lá já são um ponto de interesse a mais.

Um lugar para um passeio mais relaxado para fotos, tempos dilatados para brincadeiras e descontração e definitivamente, tempo bom! Jardim Botânico e chuva como se pode imaginar é igual a lama, não recomendável.

Perto da Praça da República, quase escondido e na minha opinião extremamente subutilizado, fica o Jardim da Sereia. Ainda não descobri a história deste lugar, mas é um lugar que me dá paz e onde certamente faria minha festa de casamento se um dia resolvesse fazer uma. O lugar é simplesmente perfeito para isso. No próprio Jardim da Sereia tem um café que costuma ter umas opções bem interessantes no cardápio.

Do outro lado da Praça da República está o Teatro Acadêmico Gil Vicente, ali também tem um café e no teatro tem as principais atividades culturais da cidade.

Atrás do Teatro tem o Bar Acadêmico para os finos em noites de verão e na rua à direita em frente tem a Casa das Caldeiras um bar/café que abriu onde antes funcionavam as caldeiras dos antigos hospitais da cidade.

É a cidade se revitalizando e aproveitando o seu passado.

Voltando lá pra cima, chegamos à Sé Nova, igreja em estilo barroco, do século XVIII, com imponência no topo do largo de onde vemos a nova direção.

Museu Machado de Castro

Coimbra

Dali se vê o Museu Machado de Castro que reabriu em 2012 com excelente curadoria e boa distribuição das relíquias da região pelo espaço além da visita pelo criptopórtico romano, o subterrâneo do museu que é uma autêntica visita ao passado.

Seguindo a descida chega-se à Sé Velha, igreja em estilo românico-gótico do século XII, com um ar muito mais pesado que a “Sé Nova”, é fácil perceber a diferença de idade entre as duas, mesmo que sejam duas jovens senhoras bem conservadas.

Sé Velha X Sé Nova

Coimbra

Descendo pela frente da Sé Velha, a escada de “Quebra Costas” (há de se ter cuidado mesmo) você vai passar por uma estátua da Tricana, uma homenagem à mulher típica de Coimbra, também ali tem uma casa onde nos últimos anos tem havido apresentações de fado e você verá o Arco da Almedina onde também muitos ranchos têm se apresentado. Assim, é aí também que há 2 anos fizeram um marco de homenagem à guitarra portuguesa e ao fado de Coimbra.

É importante salientar que o fado de Lisboa e o fado de Coimbra são bem diferentes. Pela experiência, vale ouvir os 2. Lembra da canção de amor e canção de amigo nas aulas de literatura? Então, é mais ou menos isso. Lisboa mais escárnio, Coimbra mais melancolia. De qualquer forma, como disse, nada como ouvir os dois para se pôr à prova.

Descendo um pouco mais se chega à rua principal da baixa.

Arco de Almedina

Coimbra

Para a esquerda temos a parte central da cidade e para a direita, o rio.

Seguindo para a esquerda: subindo a bifurcação tem uma casa mais tradicional de fado, “À Capella”.

Sem subir a bifurcação, é possível ver a revitalização da baixa aos poucos, com a volta do comércio de rua, com o artesanato nas lembranças e doçarias tradicionais até chegar à Praça 8 de Maio onde fica a Câmara Municipal e a Igreja da Santa Cruz. Junto à Igreja também fica um café de mesmo nome que carrega um pouco da sua arquitetura e aproveita de sua acústica para alguns eventos de fado também, especialmente na primavera e no verão.

Atrás da Câmara Municipal, fica ainda o Jardim da Manga que esconde um restaurante onde é possível comer bem, ser bem atendido e pagar um preço justo.

Seguindo para a direita chega-se ao largo da Portagem. No largo da Portagem existe excesso visual em todos os sentidos, parece que você nunca sabe bem para onde olhar. Bom, pelo menos eu sou assim. Então aproveito os cafés e paro para curtir cada visual. Vale.

Atravessando a avenida estamos à beira do Rio Mondego, onde temos o Parque Verde com a área de bosque, o Museu da Água, o passeio no barco Basófias, o playground, os cubos com atividades diversas, pedalinhos, área para corrida, leitura, área das docas, enfim diversas opções para uma tarde bem passada ao ar livre.

Do outro lado do rio está um dos parques mais geniais que já visitei com uma ideia simples de tudo: “Portugal dos Pequenitos”, literalmente, Portugal (ou os seus principais monumentos) e os lugares que contribuíram para sua história, em miniatura. É uma delícia!

Portugal dos Pequenitos

Coimbra

Atrás do Portugal dos Pequenitos está o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, submerso até 2010 e agora recuperado e transformado em museu, apesar do acesso ainda confuso, a curadoria deste espaço está super bem cuidada e vale a visita. De fora já dá para ter uma ideia, mas é de dentro que se vê a beleza do espaço, para quem gosta deste tipo de passeio, claro. Isto sem contar o próprio museu e o cuidado com os objetos recuperados.

Um pouco mais a frente, no Clube de Golf D. Dinis fica a Quinta das Lágrimas ponto que marca o fim trágico da história de Pedro e Inês. Como fica em área particular, eles cobram entrada, mesmo que seja só um jardim e, sinceramente, não sei em qual estado se encontra depois que o Clube assumiu seus cuidados, portanto, não sei dizer se o valor cobrado é justo ou não.

De volta ao Jardim Botânico, pegando a rua em frente sobe-se até encontrar a estátua da irmã Lúcia e então entra à direita e encontrará o Penedo da Saudade, onde diz-se que Pedro chorava por Inês.

Talvez por isso, aqui convencionou-se “plantar” placas comemorativas de aniversários de cursos, com poemas e homenagens de seus alunos. É possível ver homenagens bem interessantes de ex-alunos ali.

Penedo da Saudade

Coimbra

Dos pontos turísticos habituais de Coimbra este é o menos habitual e o mais distante e mesmo assim faz-se muito bem a pé para alguém em boas condições físicas.

Dali é possível ter a vista da parte mais moderna da cidade, inclusive o estádio.

Falando nisso, não sou de recomendar shoppings como ponto turístico, até porque não deveria mesmo, mas um shopping de Coimbra, o Alma (sim, são shoppings a mais por aqui) gosto de mostrar como ele aproveitou o estádio para ter lojas externas, shopping e apartamentos, mas não quero dizer nada com isso, claro!

Enfim, foram me dar corda, deu nisso… se deixar eu não paro, mas será que eu deixei meu bichinho te pegar? Já pelo menos começou a se encantar por Coimbra? Cuidado! Coimbra tem mais encanto na hora da despedida!


“Lugares para visitar em Coimbra?”, lembre-se dessa matéria e você terá a resposta do que fazer em Coimbra e que tipo de turismo Coimbra poderá proporcionar!

Faça o seu roteiro turístico para conhecer os principais pontos turísticos de Portugal. Coloque Coimbra em sua lista e bom passeio!

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Imagem via Maira Santana

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Sobre o autor

Maira Santana

Maira Santana

Esta paulistana sempre teve asas querendo percorrer o mundo todo, mas nunca tinha considerado Portugal, para falar a verdade, até que surgiu a oportunidade de fazer o mestrado na Universidade de Coimbra e não pensou 2 vezes: mergulhou de cabeça. Coimbra tornou-se seu verdadeiro lar e adora falar sobre a cidade e apresentá-la para quem quiser conhecer de verdade.