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Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva em Lisboa, Portugal

Fundação Arpad Szenes -Vieira da Silva
Loraine Eira
Escrito por Loraine Eira

Escolhido pela pintora Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992) para albergar a sua Fundação, o edifício corresponde à antiga Fábrica de Tecidos de Seda e encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1984.

Situado na Praça das Amoreiras, o imóvel insere-se na malha pombalina do Bairro das Águas Livres, desenhada por Carlos Mardel em 1759 e foi reabilitado e adaptado ao programa museológico pelos arquitetos José Sommer Ribeiro e Richard Clarke, entre 1990 e 1994.

O perfeito entendimento entre a pintora e José Sommer Ribeiro (1924-2006), primeiro diretor da Fundação, garantiu a aproximação da obra arquitetônica ao imaginário de Vieira.

A ideia de se implantar, em Lisboa, uma estrutura cultural cujo primeiro objectivo fosse promover a divulgação e o estudo da obra de Vieira da Silva e de Arpad Szenes (1897-1985), seu marido, começou a ser delineada em 1985, após a morte de Arpad. Vieira da Silva  pensou criar um Centro de Estudos na sua casa de Lisboa (no Alto de São Francisco, junto ao Jardim das Amoreiras) que seria doada para esse fim. A reduzida dimensão da casa não permitia instalar condignamente a documentação  que constituiria o Centro e, muito menos, expôr a obra dos dois pintores, como Vieira idealizava. Desde 1988, ano em que se formalizou o projeto do catálogo analítico de Vieira da Silva, que se procurou reunir toda a informação existente relativa à sua obra nos arquivos pessoais da pintora, da Galerie Jeanne Bucher, de Guy Weelen, das galerias Pierre Loeb de Paris e Knoedler de Nova Iorque. Todos os documentos deveriam integrar o futuro Centro de Estudos após a publicação do catálogo.

Por sugestão de Guy Weelen, secretário pessoal de Vieira da Silva e Historiador da sua obra, apoiado por José Sommer Ribeiro, o projeto de um Centro de Estudos transformou-se na ideia mais ambiciosa de um lugar de exposição de obras suas e de Arpad.

Fundação Arpad Szenes -Vieira da Silva

Fundação Arpad Szenes -Vieira da Silva

A proposta da criação de um museu (que contou com a intervenção de Luis dos Santos Ferro, Bernardino Gomes e Rui Machete da Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento) foi entusiasticamente acolhida por Mário Soares (então Presidente da República) que viu nesse projecto um contributo para dotar Lisboa de uma estrutura cultural contemporânea dedicada a  Vieira da Silva, uma das mais importantes artistas do século XX. Várias instalações foram consideradas para albergar o futuro museu e propostas a Vieira da Silva que escolheu, sem hesitações, a antiga “Fábrica de Tecidos de Seda”, simples e ampla casa pombalina ligada a uma estrutura fabril do início do século XX. A escolha afectiva de Vieira da Silva pelo edifício pautou-se pela sua simplicidade e proporções harmoniosas, pela proximidade da Praça das Amoreiras e da casa do casal em Lisboa, e reflecte a sobriedade e a discrição em que Vieira se revia. A Mãe de Vieira, Maria do Céu da Silva Graça (1884-1984), adquiriu, em Maio de 1926, a casa do Alto de São Francisco onde ambas viveram e que Vieira desenhou e pintou repetidas vezes nos anos trinta.

Para além de Mário Soares, envolveram-se neste projeto o então Primeiro Ministro Aníbal Cavaco Silva e Teresa Patrício Gouveia (Secretária de Estado da Cultura), assim como a Câmara Municipal de Lisboa, com a cedência da antiga Fábrica de Tecidos de Seda; a Fundação Calouste Gulbenkian, que se disponibilizou a custear as obras de adaptação do edifício a museu e Centro de Documentação; a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, que se prontificou a  financiar a investigação, e a Fundação Cidade de Lisboa que se dispôs a encontrar outro local para instalar um Centro de idosos que deveria, por compromisso anterior, ser instalado na Antiga Fábrica de Tecidos de Seda. Encontrada uma solução, com a intervenção do Governo, foi formalizada a Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva com a dignidade que a obra dos pintores exigia. Por Decreto-Lei n.º 149/90 de 10 de Maio de 1990 é criada a Fundação como instituição de utilidade pública, dotada de personalidade jurídica, cujo preâmbulo demonstra bem a urgência em testemunhar o reconhecimento nacional ao gênio artístico de Vieira da Silva, manifestamente pouco representada nas coleções públicas em Portugal. As diversas entidades acima citadas ficaram com assento no Conselho de Administração, à excepção da Fundação Calouste Gulbenkian que, por normas internas, não se pode associar a outras fundações. Por sua vez, o Estado comprometeu-se a assegurar anualmente um subsídio destinado a cobrir as despesas, de manutenção e conservação do edifício do Museu e do Centro de Documentação. Até à criação oficial da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva não existia nenhuma instituição que permitisse, de forma exigente e bem documentada, empreender o estudo e difundir o conhecimento da obra de Vieira da Silva que pode ser considerada a mais destacada artista plástica nascida em Portugal no século XX. Maria Helena Vieira da Silva participou desde o início no projeto, tendo infelizmente morrido dois anos antes do Museu inaugurar, em Novembro de 1994. Foi seu desejo – e condição – que a Fundação fosse também dedicada à obra do seu marido, Arpad Szenes, recomendando que o nome de Arpad deveria preceder o seu na designação Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva. A casa-atelier foi submetida a obras de recuperação em 1994, e novamente em 2013, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa. Este espaço abre-se por fim a todos, com um programa que visa estreitar as relações com instituições e particulares que pretendam promover atividades de aperfeiçoamento da arte contemporânea e desenvolvimento da cultura e educação artísticas, conforme previsto nos estatutos da FASVS.

Localização

 


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Conteúdo / Imagem via Fundação Arpad Szenes -Vieira da Silva e ©Pierre Guibert

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Sobre o autor

Loraine Eira

Loraine Eira

Fundadora do O-TUGA, é colecionadora de carimbos no passaporte e de fotografias. Se apaixonou por Dublin em seu intercâmbio em 2014 mas escolheu a terra dos tugas para criar raízes em 2015. Definitivamente, uma paulistana que resolveu deixar São Paulo para descobrir o mundo!!!