Museu da Carris – Lisboa, Portugal

O Museu da Carris foi inaugurado dia 12 de Janeiro de 1999 pelo Presidente da República Jorge Sampaio. Sedeado na Estação de Santo Amaro construída sobre os terrenos da antiga “Quinta do Saldanha”, datam as obras iniciais da estação em 1874.

O Núcleo III é inaugurado a 19 de Setembro de 2012 inscrito nas comemorações dos 140 anos da empresa.

Dia 17 de Dezembro de 2013 o percurso museológico e os núcleos do museu foram restruturados através de uma parceria com o Museu Berardo. Espólio e história do Metropolitano de Lisboa foram integrados no Núcleo I, II e III.

O que se pode encontrar no Museu
Percurso

O Museu da Carris permite aos seus visitantes uma viagem no tempo que revela a história dos transportes de Lisboa a par da própria evolução e mutações da cidade. O espólio despoleta a memória colectiva de portugueses e estrangeiros pela dimensão das relações da C.C.F.L com outros países, nomeadamente, Brasil, Inglaterra e Estados Unidos da América.

Museu da Carris

O Museu é dividido em três Núcleos: o primeiro, mais documental, descreve cronologicamente a história da C.C.F.L desde a sua fundação. Possui maquetes e miniaturas, algumas elaboradas nas oficinas de Santo Amaro, do Americano, do Ascensor, do Eléctrico Salão, dos autocarros de 1940 e do Metro. Inclui ainda particularidades da Companhia como a história da sua Banda e a recriação do Antigo Posto Médico do Serviço de Saúde criado em 1878.

Museu da Carris

O trânsito entre os núcleos é feito num Eléctrico de 1901, remodelado nos anos 60, com decoração de Pedro Leitão. O trajeto no número 1 ou 2 faz as delícias de quem visita o Museu, pela sua antiguidade e beleza e pelo efeito surpresa provocado nos visitantes ao descobrirem que vão ter direito a um mini-passeio.

No Núcleo II a exposição contempla diversos transportes de interesse, alguns dos quais estão presentes em maquete na fase inicial do museu. Distribuídos nas gares 1 e 2: o Carro Americano nº100 (réplica de 2001), o Eléctrico-Salão nº283 (associado ao P.Républica Teófilo Braga no percurso para Belém), os São Luís, nomeadamente, o nº444 (apelidado de “Palhinhas” devido aos bancos), alguns autocarros da marca AEC e Daimler provindos de Londres. Outro importante exemplar é o nº535, na gíria “Bigodes”, do ano de 1928 um dos primeiros a circular pela direita em Portugal e a ser construído nas oficinas da companhia. Todos estes transportes ainda funcionam. Neste núcleo é também possível visitar uma simulação da Oficina de Tipografia onde era fabricado o material gráfico da CARRIS e os bilhetes e títulos numa colaboração com a Casa da Moeda que data de 1878.

No último núcleo (3) encontra-se uma cabine de maquinista do metropolitano e veículos de transporte de passageiros das décadas de 80 e 90, incluindo os “Laranjas”.

Algumas datas importantes da CARRIS e Metro:

– Fundada em 1872 no Rio de Janeiro por Francisco e Luciano Coordeiro de Sousa

– Sede em Santo Amaro 1873

– Carro Americano: tracção animal puxado por 2 cavalos já circula sobre carris e leva cerca de 32 pessoas  – 1973

– Autocarros Verdes: primeiros 6 vindos de Londres em 1940 para a exposição do Mundo Português. Voltam a chegar em 1944 após as primeiras vitórias dos aliados na 2ºGuerra Mundial. Em 1947 chegam os verdes de 2 pisos. Marcas AEC e Daimler

– Autocarros Laranjas da Volvo – 1975

– Autocarros Amarelos e Eléctricos Articulados – década de 90

– Metropolitano de Lisboa – 1959

– Rede do Metro definida com as 4 cores (vermelha, azul, amarela e verde) – 1998 (por ocasião da Expo 98

Detalhes de algumas das peças e veículos nas várias salas e naves do Museu:

Núcleo I

Bilhetes de Assinatura: Registo de titulares de Bilhetes de Assinatura, séc.XIX. Mala de couro com livro interior, fotografias estilo passe e nº de passageiro.

Miniatura de Ascensor: Modelo idealizado construído por Joaquim Borges Cardoso, sócio da firma Cardoso & D’Argent, construtora, nomeadamente, dos ascensores de Lisboa e do Carmo. Elemento de estudo à tracção a vapor. Têm um mecanismo que permite a subida e descida dos ascensores.

Vitrine com Cupões e Peças de sorteio: Cupões de pagamento de dividendos de acções da Lisbon Electric Tramways Limited e diversos elementos em madeira e metal utilizados para o sorteio de títulos.

Espelho da Sala de Plantões: “Mais um minuto e veja como se apresenta ao serviço. Atenção, a barba está feita e o fato bem limpo? Note bem! Um aspecto de limpeza agrada a todos”, Estação de Santo Amaro, 1937.

Fotografia: Desembarque dos primeiros autocarros de 2 pisos, Porto de Lisboa, 1947.

Relógio de Ponto: National Time Recorder Co. Ltd. london SE.

Painel sinoptico de diagrama de rede de Metro: Estação do Rossio, 1972.

Bastão de piloto Metro de Lisboa: garantia utilizada em determinadas circunstâncias na ausência de sinalização ferroviaria. Garantia de circulação unica no respectivo troço.

Núcleo II

Carro Americano: réplica de 2001 com base num projecto de 1886.  Transporte urbano a tração animal deslocando-se sobre carris. Apelidados, pela gíria, de “Americanos”, eram puxados por dois animais.

Elétrico Salão nº283: Único exemplar existente dos carros elétricos abertos que no início do século equiparam a frota da Companhia Carris. Tendo entrado ao serviço em 1902, passou a carro de instrução na década de 50 e foi abatido ao serviço 10 anos mais tarde. Após alguns anos no Parque Infantil do Alvito foi recuperado pela empresa e restaurado de acordo com o aspeto que apresentava por meados da década de 40.

Eléctrico nº444: Entre Maio e Julho de 1901 chegaram os primeiros carros elétricos fechados que integraram a frota da Companhia Carris, num total de 75, de “grande conforto e elegância” para a época, com janelas de caixilhos envidraçados, guarnições interiores de madeira trabalhada a baixo-relevo, cadeiras interiores reversíveis forradas com tecido de palha entrançada e uma pintura exterior muito bem acabada com ornatos de decalcomania.

Eléctrico nº535: Em 1928, ano em que, em Portugal, se começou a circular pela direita, entrou ao serviço o carro elétrico n.º 535, utilizando uma caixa do tipo que é hoje considerado como o tradicional dos elétricos de Lisboa. Construído nas oficinas da Companhia Carris, a sua recuperação obedeceu às características que então ostentava: piso direito, bidirecional, com salva-vidas tipo Providence e capacidade para rebocar carros atrelados. Saiu de serviço em 1991.

Autocarro nº217: de marca AEC, importado de Londres, entrou ao serviço em 1952 tendo sido retirado de circulação em 1982. Representativo dos primeiros autocarros de 2 pisos utilizados pela Companhia Carris, foi recuperado de acordo com o momento da sua entrada ao serviço.

Autocarro “Nery”: pertenceu ao programa de “Arte a Circular” com a participação de vários artistas, nomeadamente, José de Guimarães. Integrando um conjunto de cinco viaturas (851 a 855) facilmente identificável pelo aspecto apresentado pela sua carroçaria, com duas portas para circulação dos passageiros e escada de acesso ao 2.º piso instalada a meio da viatura, este autocarro entrou ao serviço integralmente pintado de verde, uniformidade cromática apenas quebrada por uma lista branca situada logo abaixo das janelas do piso inferior. Actualmente apresenta uma pintura original de autoria de Eduardo Nery, de 1982. A sua originalidade, criando a ilusão de dois autocarros sobrepostos, causou admiração nos utilizadores.

Carro de Escadas e Mangueiras: Movido por tração braçal. Foi construído nas oficinas da empresa sendo a caixa em madeira e as rodas em ferro, 1937.

Pontos de maior interesse dos visitantes (adultos e serviços educativos)

Os visitantes, portugueses e estrangeiros, dirigem-se ao Museu da Carris para observar ou rever os antigos transportes de Lisboa, sobretudo, os eléctricos. No primeiro núcleo há alguns pequenos objectos que convocam a atenção dos adultos e seniores: a maquete do Americano e do Ascensor, o Eléctrico-Salão em miniatura, por vezes, o mobiliário antigo das zonas administrativas como a escrevaninha, as calculadoras antigas ou o relógio de ponto Nacional Time Recorder. Os instrumentos da banda também criam curiosidade. Os mais pequenos encaram as miniaturas de viaturas como “brinquedos”, mas muito antigos, claro que são os elementos de preferência. Porém, tudo o que induz ao toque e à experiência fisica é estimulante, assim, os painéis sinopticos, o manipulo de ponto ou a cabine do guardar-freio têm muito sucesso com as crianças.

Museu da Carris

A travessia da Estação de Santo Amaro no eléctrico do museu é sempre um momento de alegria para qualquer visitante, de todas as idades, géneros e nacionalidades. É o momento mais “real” da experiência. Entre os núcleos II e III a entrada em transportes antigos, a possibilidade de descobrir curiosidades e sentar, muitas vezes, no lugar de passageiro ou condutor gera a sensação de viagem ao passado que o Museu da Carris propõe. Um entendimento de como foi a evolução deste serviço público do qual muitos usufruímos diariamente. Para os turistas acontece também a articulação entre a realidade do seu país de origem e a vida quotidiana portuguesa, o que no contexto europeu despoleta diversas similariedades e pontos de contacto.

No Núcleo II há transportes que marcam os visitantes tanto pela sua beleza, como pela história que os contextualiza ou até pelo simples saudosismo. No caso das crianças, estes antigos transportes existem no seu imaginário por referência de filmes animados e histórias contadas. O Carro Americano, os São Luís “Palhinhas” e os Autocarros Verdes e Laranjas de dois pisos são, sem dúvida, as peças mais aclamadas pelo público que nos visita.

Na loja do museu o produto de eleição são as miniaturas de eléctricos amarelos, verdes e vermelhos, a recordação perfeita para todos e um objecto requintado para os coleccionistas.

O Serviço Educativo do Museu da Carris recebe diversos públicos. Os grupos seniors têm visitado imenso o museu fazendo visitas-orientadas pelos nossos monitores. A grande maioria chegou a andar em alguns dos veículos que aqui se encontram e que exibem o destino e carreira de origem. Nestas visitas há muito diálogo e partilha de memórias.

Museu da Carris

Quantos ao público infantil o nosso serviço oferece diversidade na escolha de visitas e oficinas do programa anual e ainda algumas actividades específicas e sazonais, nomeadamente, durante as Férias de Verão. As duas visitas-jogo mais requisitadas são: a Visita-História que utiliza um livro didático com pop-ups e segredos escondidos que permite, entre gestos e sons, ao longo do percurso pelo museu contar a história da companhia. A Visita-Viagem, para crianças entre os 7-12 anos, acontece por meio de uma mala de viagem com um mapa 3D que se foca na passagem da história da CARRIS pelos vários países e cidades que a composeram. As duas oficinas com maior afluência são “Transportes à nossa escala” e “Carrinhos de Rolamentos”, onde as crianças podem construir mini transportes e carros que deslizam. Pondo em prática o conhecimento adquirido e sendo criativos. A oficina “Janelas Mágicas” surgiu depois do sucesso do Eléctrico de Natal e propõe que os participantes contem a história da Carris como se fosse uma Banda Desenhada nos vidros de um autocarro verdadeiro com canecas fluorcentes. As festas de Aniversário no Museu são muito requisitadas, têm opções como Gincana e Parede Mágica ou Plasticinas com jogo de pistas incluído!

Museu da Carris

Algumas particularidades com interesse/Curiosidades:

– Sabia que a C.C.F.L foi fundada em 1872 no Rio de Janeiro?

– Sabia que o Elevador de Santa Justa se chamava Elevador do Carmo? Foi desenhado pelo Engenheiro Raul Mesnier de Ponsard, nascido no Porto com descendência francesa.  Possivelmente discípulo de Gustave Eiffel. Primeiramente (1902) funcionava a vapor e, em 1907, é adquirido e electrificado pela C.C.F.L.

– Sabia que os ascensores quando foram construídos funcionavam com um sistema de contra-peso de água? Lavra 1884, Glória 1885 e Bica 1892. O ascensor do Bom Jesus em Braga ainda funciona desta forma.

– Sabia que no nosso museu existe um Transportador de Carris feito totalmente de ferro conhecido, na gíria da empresa, pelo nome de “Diabo”? Certamente por causa do grande esforço físico que exigia àqueles que o puxavam.

– Sabia que na série do 801 ao 810 havia um eléctrico chamado “Boi”? As pessoas liam o nº801 em letras em vez de números e, assim, este longo eléctrico de 1939 passou a ter esta “alcunha”.

– Sabia que as senhoras que se sentavam nos bancos transversais dos autocarros verdes de dois pisos levavam agulhas nos bolsos? Serviam para picar os homens que se metiam com elas. Pois é, estes bancos ficaram conhecidos como bancos dos “palermas” porque os senhores ali se sentavam para espreitar os tornozelos e as bainhas das saias.

– Sabia que temos no Museu da Carris dois eléctricos “Palhinhas” foram ao barbeiro? Dizem que um é  “risco ao meio” e o  outro “risco ao lado”. Na verdade estas alcunhas prendem-se com o facto das fileiras de bancos serem simétricas ou assimétricas.

– Sabia que designámos um dos nossos eléctricos de “Caixote”? É o nº741, tem um aspecto mais simples, menos ornamentado. Linhas direitas e portas fechadas. Até parece blindado! É um eléctrico de 1947, do Pós-Guerra e nesta altura o que mais preocupava as pessoas era a segurança.

– “O Diabo a 9” e “O Diabo a 7” eram antigas expressões que chegaram aos nossos dias. Era um modo de o povo lisboeta dizer que o eléctrico ía tão rápido que parecia que o “Diabo” o ía a conduzir.

– Sabia que os primeiros 6 autocarros verdes chegaram em 1940 para prestar auxílio na deslocação do público para a Exposição do Mundo Português? Em 1944, quando os Aliados começam a ganhar a 2º Guerra Mundial mais autocarros são adquiridos de Londres, os famosos verdes de 2 pisos chegaram em 1947.

– Sabia que a C.C.F.L contruiu uma central eléctrica, a Geradora de Santos, para possibilitar a chegada dos eléctricos e o seu funcionamento? Foi em 1901 numa época em que escassas pessoas disponham de eléctricidade doméstica na cidade.

Museu da Carris

Localização

 


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Conteúdo / Imagem via Museu da Carris

Loraine Eira
CO-Fundadora do O-TUGA, é colecionadora de carimbos no passaporte e de fotografias. Se apaixonou por Dublin em seu intercâmbio em 2014 mas escolheu a terra dos tugas para criar raízes em 2015. Definitivamente, uma paulistana que resolveu deixar São Paulo para descobrir o mundo!!!

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Loraine Eira

Loraine Eira

CO-Fundadora do O-TUGA, é colecionadora de carimbos no passaporte e de fotografias. Se apaixonou por Dublin em seu intercâmbio em 2014 mas escolheu a terra dos tugas para criar raízes em 2015. Definitivamente, uma paulistana que resolveu deixar São Paulo para descobrir o mundo!!!