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Mosteiro de São Martinho de Tibães – Braga, Portugal

Mosteiro de São Martinho de Tibães
Loraine Eira
Escrito por Loraine Eira

O Mosteiro de São Martinho de Tibães situa-se na freguesia de Mire de Tibães, no concelho e distrito de Braga. Foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 1944, estando afeto à Direção Regional de Cultura do Norte.

Em finais do século XI, foi fundado o Mosteiro de São Martinho de Tibães, de observância beneditina, no qual os monges seguiam as regras – silêncio, obediência, pobreza, oração e trabalho – prescritas por São Bento de Núrsia.

Em 1110, os condes D. Henrique e D. Teresa, pais de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, doaram a Tibães as terras adjacentes ao Mosteiro e outorgam-lhe a Carta de Couto.

 

Mosteiro de São Martinho de Tibães

 

O Mosteiro cresceu em privilégios e poder até ao século XIV sendo, após o Concílio de Trento, em 1567, escolhido para Casa-mãe da Congregação de São Bento dos Reinos de Portugal, com 22 mosteiros em Portugal e 13 no Brasil. Atingiu o seu máximo esplendor nos séculos XVII e XVIII, após ter sido transformado num dos maiores conjuntos monásticos do Portugal Barroco e num importante centro produtor e difusor de culturas e estéticas, lugar de exceção do pensamento e arte portuguesas.

O Mosteiro é constituído pela igreja, alas conventuais e espaço exterior – a cerca. O edifício que hoje existe foi construído ao longo dos séculos XVII, XVIII e XIX. Com uma arquitetura funcional, apresentava nesse tempo uma clara separação entre as áreas de oração, trabalho, lazer, comunicação com o exterior, zonas ocupadas pela comunidade residente e outras, reservadas para o uso como Casa-mãe da Congregação.

Em 1833/ 34, com a extinção das Ordens Religiosas, o Mosteiro foi encerrado, os seus bens inventariados e postos à venda, exceto a igreja, o passal e uma zona conventual que, continuando propriedade do Estado Português, ficaram em uso paroquial.

Em 1986, o Estado Português, perante a degradação e delapidação deste património nas décadas anteriores, adquire-o, iniciando a sua recuperação com estudos, registos e limpezas que viabilizaram os projetos de restauro que se seguiram.

Mantendo os usos associados à Paróquia de Mire de Tibães, duas novas valências foram implementadas: a cultural, associada ao conceito internacional de Museu Monumento e Jardim Histórico, que permite percorrer, ver e sentir os espaços e os seus tempos; e a de acolhimento, onde a intervenção de recuperação do séc. XXI, adaptou a parte do edifício mais arruinada às necessidades duma comunidade religiosa da Família Missionária Donum Dei, com as valências de hospedaria e do restaurante L’Eau Vive.

 

 Cerca

A cerca do mosteiro ocupa uma área de aproximadamente 40ha. Todo este território, enclausurado por um muro de pedra rebocado, acolhe a igreja, os edifícios conventuais, a Quinta da Ouriçosa, o passal, matas e as antigas terras de pão, hortas, pomares, viveiros, laranjais e pastagens.

Todos estes usos organizam-se entre ruas, muros, escadas, fontes e tanques, elementos construídos no programa desenvolvido durante os séculos XVII e XVIII pelos monges beneditinos que, mais do que um local de agricultura de rendimento, quiseram construir um local de meditação, lazer e experimentação.

Com a compra pelo Estado Português o sentido de recuperação da cerca, iniciada em 1987, revelou-se desde logo intimamente associada à manutenção da exploração agrícola e à manutenção dos habitats que permitem a sobrevivência dos seres vivos autóctones que aqui foram permanecendo.

De referir o prestigiado prémio internacional Carlo Scarpa, para os jardins históricos, que esta intervenção alcançou em 1998 e que nos permite dizer hoje que fruir esta cerca é um desafio à sensibilidade e ao conhecimento.

 

Informações Úteis
  • Aberto de terça a domingo
  • Visitas guiadas, todos os dias, às 11h, às 15h e às 16h30
  • Encerrado à segunda-feira e nos feriados de 1 de Janeiro, domingo de Páscoa, 1 de maio, 24 de junho e 25 de dezembro
  • Horário de verão (abril a outubro): 10h – 19h
  • Horário de inverno (novembro a março): 10h – 18h
  • Entrada gratuita todos os domingos e feriados até às 14h, para cidadãos residentes em território português.

 

Localização

 

Telef: +351 253622670 | +351 253623950

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Conteúdo | Imagem via Mosteiro de São Martinho de Tibães: LFA – Luis Ferreira Alves e MC – Manuel Correia.


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Sobre o autor

Loraine Eira

Loraine Eira

Fundadora do O-TUGA, é colecionadora de carimbos no passaporte e de fotografias. Se apaixonou por Dublin em seu intercâmbio em 2014 mas escolheu a terra dos tugas para criar raízes em 2015. Definitivamente, uma paulistana que resolveu deixar São Paulo para descobrir o mundo!!!