Parece que estamos imersos em um filme. Visitar Hallstatt, na Áustria, tem um significado que compactua com um universo mágico, o universo de um espetáculo, em que a natureza é a personagem principal, e a mão humana assume o papel de coadjuvante.

Ouvir o barulho de pássaros, contemplar as águas do lago que contornam o local, admirar as flores nas sacadas, observar o movimento dos poucos barquinhos que carregam os turistas e olhar atentamente o sobe e desce do bondinho elétrico que levam as pessoas até a mina de sal, fazem daquela aldeia um lugar quase que inalterado com as tantas tecnologias que nos rodeiam.

Estar em Hallstatt é se desprender de qualquer interferência, é viver naturalmente o lugar, se perder nas poucas ruas, e deixar que o olhar vaguei até onde à vista alcança, se é que ela alcança.
Aliás, é tanta beleza que escorre a nossa frente sem que percebamos de fato, o que houve. Sentar-se na grama, ou deitar-se, ou brincar, como achar melhor, nos leva a passados não tão distantes em que a vida pulsava de maneira real, crua, mais humana. Não sei se me faço entender, mas é que é mesmo difícil encontrar palavras que definam com tanta precisão o que aos nossos olhos fogem devido a tanta beleza exposta na frente.

Encantamento à parte, o nome da aldeia vem da produção de sal, e em 1997, foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco, no conjunto denominado paisagem cultural de Hallstatt-Dachstein, Salzkammergut.
A atividade humana por lá, remonta a pré-história, com depósitos de sal explorados desde o segundo milênio antes de Cristo.
A beleza real/cinematográfica é tanta, que em 2011 uma companhia estatal chinesa, Minmetals Land, construiu uma cópia desta aldeia na província de Cantão, no sul do país. Como cópias nem sempre conseguem reproduzir o original com tanta verossimilhança, Hallstatt continuará como narrativa única deste caminho chamado vida.

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Conteúdo | Imagem via Anna Maria Salustiano
